quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

"Agora não..."

És triste e amado sentido
que me tortura o olhar cercado,
mudo e mordaz sentir fingido
que mata o querer gritado..

Ainda te sinto onde os olhos já não te chegam,
apesar de tanto...
tanto que me queimas!
ainda me perco no pensamento esquecido
ainda te falo no silêncio que teimas...
de mais um inicio feito fim caído!
por ti nascido...
por ti perdido...

Este injusto querer desfeito
de uma nobre vontade que arde
num chorar seco de silêncio imperfeito,
mercê de um triste amor cobarde!

Ainda cá fico,
mais uns dias talvez..
por ser difícil sair daqui
por querer que me encontres de vez
e me tragas o que perdi...

Quem sabe um dia
dure mais...
quem sabe um dia
não te vás embora...jamais

"Agora não!"

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Melhor amigo!

Nunca mudei o que sinto
enquanto sinto a falta de te ter..
de todas as palavras que finto
haverá uma que me fará esquecer...

Há muito que nos perdemos
no estranho esbater da memória
que faz da nossa vida
o triste contar da história...

E parece morrer o conforto!
fraco e incapaz,
puxo de um cigarro que me esconda o corpo
na sombra que a distância me faz...

Raiva por não querer dizer o teu nome...
vontade de querer estar contigo!
raiva por nao saber dizer...
melhor amigo!

domingo, 13 de julho de 2008

"- O que é que ontem tinhas pra me dizer? - Nada - Tudo"

No teu mundo esquecido
entre palavras que não te chegam
depois de tudo que havia sido,
platónico,
ardido!
De tudo o que sinto,
tudo é indigno,
quero antes nada mais te dizer...
(sei que minto)
mas prefiro,
pois sinto-me a morrer!

Só fingir!
debaixo daquela árvore sem tempo (uma qualquer)
fingir que me perguntas:
"- Em que pensas?"
e não responder!
(não por não querer)
só por não ter palavras imensas...

domingo, 15 de junho de 2008

sol posto

Acordei tarde hoje!
deixei as horas lá atrás...bem longe...

Sonhei com o pôr-do-sol que me tentas,
tanta a cor de sentido súbito
que em rasgos de voltas lentas
ocupa todo o pensar dito..
tal a vontade egoísta que aumentas
num abstracto ardor maldito
que se encobre nos subúrbios do teu sonhar,
onde se distingue a chuva seca que nos pesa
onde não há vontade no respirar,
tal o efeito de sentir que nos despreza!

Sinto falta que me aqueças o rosto...
entristece-me não o ver mais,
ele: o Sol posto!
não que ele já não exista,
porque longe da vista
de certo sonho triste...ele existe...
perto do amanhecer,
onde caem as palavras que te quero ouvir dizer..

Aparência do sentido..

É tanto o sol que nos arrefece
no dia penoso...difícil que não se esquece,
a par do olhar terno perdido
dada a aparência do sentido!

Esse aparente brando afecto,
absurdo e inquieto
que sonegas do destino
indiferente...
a tudo o que imagino..

Alui-se a raiva dos pensamentos não pensados,
tantas as vidas que nos passam em frente dos olhos vidrados!
e torna-se cómoda a dúvida prudente
sendo que pensar é adverso,
uma ilusão permanente
que torna o sentir tão disperso..

Trazes-me a dor do sonho vago!
e levas-me a secar os olhos densos,
tanto o silêncio de som amargo
que me impede o sentir imenso..

Benévolo querer..

Travamos os passos que fazemos em vontade
enquanto pisamos as folhas secas do sentir que cai..
paramos para pensar de onde vem infame saudade...
e gritamos ao benévolo querer que só nos trai!

Abstracto sentir..

Sou sempre isto!
inútil nos dias que passo a ver-te passar..
descanso, fixo-me denovo e listo
tudo o que faças que me faça parar
a simetria do teu gesto pensado
e digo baixinho:
"- se ela me sorrir sou amado!"
como se o sorrir fosse adivinho
do abstracto sentir alado!

Deixas para depois a vida que fizemos,
sorrio para não chorar essa vida!
tanto o pensar adiado..
e uma indecisa dúvida,
tal o peso do nosso fado...

sábado, 14 de junho de 2008

Melancolia da felicidade

Sei do estranho que é ver
o mar a fugir ao fundo...
sei do estranho que é sentir
o vento que corre em nós
e esta voz...que nos treme em saber
que há mais cores que não vemos!
sensações que não temos!
tantas palavras de querer!
e saber que há mais no gostar
do que aquilo que sabemos dizer..

Só é estranho porque não te tenho para me contares que...
também há mar que volta!
também há vento que fica!
também há amor que não passa...
quando o teu sorrir me abraça!

Não mais quero cá voltar
sem te ter em mim
para me contares…
que não há saber nas mãos que damos
neste calor que nos invade
quando tudo o que queremos
é a melancolia da felicidade…

demais..

somos certos no que fugimos,
para alem daqui onde nao quero
vivemos tudo o que esquecemos
por doer tanto... demais!
sonhas-te demais a chuva..
choramos demais á chuva..
onde nem o nosso sal fazia diferença,
onde nem a agua te levou a mim...
ficamos restos de horas em tempos
por ter medo de gostar
temer perder o que nos pertence
e tentar tocar-te onde nem os olhos te sentem
onde nem a luz te chega..
tao certa na incerteza de ti,
e a inocencia que nos acorda para o dia,
na eterna dor de pensar!
e somos tanto por fazer
tao simples no que sonhar
tao dificil no que dizer
mas basta um olhar de ti
para me perder no fim...
se fosse sempre assim
quando tudo se encontra por si..
bastava.. só assim!

Ensina-me

resumo num olhar o que sinto,
és a minha vontade,
anseio ser poema na tua vida
com as palavras que me soltas
leio tudo o que me és
como sonhos que te fiz
nas noites de sol friu
em que te ouvia feliz...
a nossa musica de todo o dia
o canto quente dos teus gestos
que me corta os nós cegos das mãos!
e...
sabemos o que nos vai...
que nos sai da pele
nos queima sem doer!
e arrasa com o querer
que nos empurra para tras
para nos fazer perder!
ensina-me a esquecer
que nao estamos aqui
e...
vou-te sonhar...

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Não te vi...

Hoje não te vi na minha vida

Cruzámos caminhos que não se encontram
na consequência cega do não dito
e aí minto
que te vi e acredito!

E nada vi...

Olho a janela coberta de chuva incerta
e procuro incessante a tua imagem
que ganha forma quando a vontade aperta,
na ilusão demente deste desejo,
a ânsia de ver-te...
em tudo o que vejo...

Deixo correr-me nos olhos loucos
os teus últimos minutos lembrados,
por mais que chorados
uns últimos minutos poucos!

Mas nada vi
e espero...

Espero no Outono dos meus olhos
o Sol que me faças chegar…
Engano o pensar
e...hoje...
só posso fingir..
que te vi na minha vida...

És sentido

assim que amanheces para mim
sinto-te como um aperto
que me envolve e sustenta
mais nada quero eu sentir
que me faz...

é como um prado verde
onde desejo perder-me
és meu caminho és meu olhar
mais nada quero eu ver
que me faz...

é o som de tudo o que desenho
sinais num sonho por lembrar
mais nada quer eu ouvir
que me faz...

como o sol que brilha na chuva
és meu cheiro de saudade
que anseio sentir
quando o vento por mim passa
mais nada quer eu cheirar
que me faz...

é o sabor das palavras
que para ti digo em silencio
como que temendo perder o que disse
nao digo mas penso
mais nada quer eu saborear
que me faz...

em mim ha um lugar vazio, sem ti
sem sentido
meu unico sentido és tu
que me faz...amar

Ser..

Somos os dias passados,
nos tempos perdidos...
memorias vincadas!

fomos lua de setembro
ténue luz refletida em nos
um sol no outono
que nos tocava, perfeito
suave aperto quente no peito
quase, talvez quase!
mas nao fomos,
nao eramos...
talvez nao podessemos.
e agora que sou?
que somos?
nada mais do que alguem que tentou
que arriscou ser sem conseguir
fomos demais...

terça-feira, 10 de junho de 2008

Último

Neste desconforto do pensar
a ingenuidade delirante,
de um pensamento que escapa
uma vontade que me agarra
num momento distante...

E o luar nunca esquecido
a palavra nunca dita..
o instante para sempre lembrado,
aquele gesto escondido,
este segredo guardado
na quase certa incerteza
de um desejo incompreendido
num último olhar trocado...

E agora?
Nestes dias sem esperança,
só espero pela noite
que vem calma e sem hora
para me esconder na lembrança
que me leva embora...

Ficou a distância tão perto,
o sonho que partiu,
um desejo eterno...
no teu lugar vazio.

Para longe do fim...
no despertar da vontade
saudade em mim...